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Nós todos vivemos, a nível mundial, tempos difíceis que ninguém poderia prever. Esta pandemia do COVID 19 apanhou-nos a todos de surpresa e a humanidade está a tentar reinventar-se para conseguir encontrar respostas para combater esta pandemia e, acima de tudo, conseguir sobreviver. 

Neste momento, a única certeza que temos é que a única forma de combater o COVID 19 é o isolamento social, sendo esta a única arma que a humanidade pode, atualmente, utilizar para se proteger. Assim, a palavra chave para responder a esta pandemia é ficar em casa e cortar com todos os nossos hábitos sociais. Vamos separar-nos para mais tarde nos podermos abraçar.

 

Será, então, normal que estas alterações profundas nas nossas vidas nos causem ansiedade e que nos sintamos stressados com as mudanças significativas que esta pandemia causou no nosso dia-a-dia. Por outro lado, o medo de ficar infetado é também outro fator stressante. Outro fator de stress está relacionado com as alterações que esta pandemia originou na nossa vida, tais como a interrupção dos horários de trabalho e da escola, ou uma miríade de preocupações relacionadas a crise mundial, sendo o stress uma resposta esperada e normal.

 

Como já vimos o distanciamento/isolamento social é a única resposta conhecida, sendo também um desafio muito exigente durante este período.

Contudo, o distanciamento social, segundo informação da OMS, é importante para retardar a transmissão do coronavírus e limitar o número de pessoas infetadas, ao mesmo tempo, pelo COVID-19. Esta tem sido a estratégia utilizada em Portugal e, até ao momento, tem-se revelado crucial para que os hospitais e os técnicos de saúde consigam responder de forma eficaz às necessidades de saúde das pessoas infetadas pelo COVID 19.

 

No entanto, o isolamento social pode originar sentimentos de solidão e ansiedade. Factor que pode ser especialmente significativo para os jovens fora da escola e sem estarem com os amigos, idosos ou pessoas que vivem sózinhas, bem como para as famílias que precisam de reinventar as suas rotinas para que a vida em família não se torne um pesadelo para todos. É importante que pessoas de todas as idades mantenham a ligação e continuem a interagir com os seus amigos ou familiares, seja por telefone, por SMS, email, ou até mesmo jogando jogos juntos online.
 
É natural que as nossas crianças e jovens fiquem alteradas com as mudanças que se impuseram no seu quotidiano, e é essencial percebermos que eles têm menos recursos cognitivos e emocionais para lidar com esta situação que afetou todo o mundo. Assim, é crucial ser honesto com eles, mas também perceber que eles não podem lidar com tudo isto da mesma forma que os adultos, protegendo-os das nossas preocupações para não agravar a sua ansiedade.
 
 

Algumas dicas para ajudar crianças e adolescentes a passar por este período particularmente stressante:

 

  • - O autocuidado é crucial tanto para as crianças, quanto para nós adultos. Certifique-se que os nossos filhos adoptam cuidados essenciais de higiene, como lavar regularmente as mãos, pois esta prática reduz o risco de ficarem doentes. Alerte igualmente para a necessidade de reduzir os contatos com pessoas fora de casa;

 

- Certifique-se de que as crianças têm tempo para participar em atividades e jogos que aliviam o stress.

Tente organizar um programa de atividades que compense o tempo normalmente passado na escola, mas também possibilite a realização de atividades de lazer e desportivas de que eles gostem;

 

- As atividades de aprendizagem para compensar o horário escolar são fundamentais. O ano letivo não terminou, seguramente irá decorrer de forma diferente. Mantenha contato regular com o Diretor(a) de Turma/Professor(a) Titular para assegurar que o processo de aprendizagem continua, mesmo não havendo aulas presenciais. É importante que os dias dos seus filhos mantenham um horário, estrutura e normalidade.

 

 - Partilhe informações com as crianças, mas certifique-se que a informação a que eles têm acesso é devidamente tratada em família para assegurar que é compreendida e continuarem a sentir-se seguros. 

As crianças precisam de saber que estão mais seguras quando reduzem o risco de adoecer lavando as mãos regularmente, descansando e limitando o contato com pessoas fora de casa;


- Outro aspeto importante é manter a esperança e tranquilizá-los, pois, muitas pessoas que contraem covid-19 ficão doentes, mas a grande maioria vai recuperar;

 

- Saliente que todos precisam de seguir as medidas de precaução para se proteger a si próprio e aos outros, dando especial atenção às pessoas que correm maior risco como os mais idosos (avós) ou aqueles que apresentam condições especiais de saúde.


- Reconheça que este é um momento assustador para muitas pessoas, e que qualquer tipo de emoções que estejam sentindo são normais e válidas, contudo certifique-se que os mais novos podem partilhar estes sentimentos com os mais experientes. Deixe as crianças conversarem e manterem contato regular com familiares distantes, especialmente os idosos com quem podem estar preocupados.

 

- Esteja atento aos sinais de stress dos seus filhos. Para crianças mais novas, a manifestação de comportamentos regressivos, como querer a chucha ou molhar a cama pode ser um sinal. O stress também se pode manifestar em alterações do apetite ou problemas digestivos, como prisão de ventre ou diarreia. Para crianças e adolescentes mais velhos, o stress pode alterar o seu comportamento alimentar, pois a ingestão de alimentos é uma das poucas coisas que eles podem controlar;

 

- Planeie atividades em familia. Este tipo de atividades facilita a comunicação e é uma chance de facilitar a comunicação e partilha com crianças e jovens que podem estar a experienciar sentimentos de vulnerabilidade. Ler livros em voz alta, jogar jogos de tabuleiro, fazer uma caça ao tesouro, jogar videogames em família ou outro tipo de atividades que envolvam toda a família é uma boa forma de mostrar aos seus filhos que eles estão protegidos e têm alguém com quem podem contar;

 

- Não se esqueça que a atividade física pode promover a saúde e diminuir a ansiedade. Se possível, jogue à bola no quintal, dê uma volta no campo ou no seu bairro ou apenas ligue a música e faça uma festa em família em que TODOS dançam e cantam.

 
VAMOS VENCER...